sexta-feira, 26 de abril de 2013

Microsoft Office Word

Gosto de achar as palavras,
Gosto daquelas que me acham.
Às vezes me perco em palavras,
Às vezes elas me escapam.
Talvez eu goste das palavras ao vento,
Prefiro as palavras ao céu.
E não simplesmente aquelas palavras ao léu.
Mas também não gosto daquelas palavras presas no mesmo chão.
Se for para uma palavra estagnar,
Que seja guardando no coração.
Gosto da palavra dizendo sim no olhar,
Mas gosto de dizer da boca para fora
A palavra não.
Gosto do carinho em forma de palavras,
Por este às vezes ser mais sincero,
Por este melhor se desculpar pelas mancadas,
Feito e pensado com mais esmero.
Não gosto muito de pensar antes de uma palavra soltar,
Mas gosto de pensar naquela que não foi solta,
E que quer uma verdade libertar.
Gosto das palavras disfarçadas.
Mas não gosto das palavras que foram caladas.
De longe, prefiro as palavras promíscuas
A palavras omissas.
Não sou de dizer o pesar das palavras,
Prefiro sua expressão em forma de lágrimas.
Gosto de palavras sem sentido,
Melhor que palavras que tentam ludibriar e eu não acredito.
Tenho temor pelas palavras e silêncios,
Quando poderiam ser em forma de gritos,
Aquelas que trazem a sutileza do sofrimento.
Do agonizo.
Ou a falta da manifestação de um sentimento.
Gosto também das palavras ditas por membros.
Braços ou mãos.
Entrelaçados ou não.
Palavras ditas pelos olhos.
Palavras ditas pela boca,
Na ação entre duas, ou de somente uma dicção.
Palavras ditas pelo corpo.
Formuladas pela cabeça
Ou pelo coração.
Palavras que saem de dois peitos
E se encontram em um só beijo.
O bom é aceitar palavras com uma ideologia divergente,
Mas que no fundo têm sua teoria,
Sua própria sociologia e querem unir gente.

Palavras para não dizer que só fala de dores.
Palavras para não dizer que só se fala dos amores.
Palavras que desabrocham com as flores.
Mas ao contrário delas, são imortais.
Palavras vitais.
Palavras virais.
Palavras iguais.
Palavras sentimentais.
Palavras que estudaram e foram estudadas.

A gente vai,
Mas ficam as nossas palavras.
O pior que pode acontecer para um ser humano,
É elas não serem ditas.
E para as nossas palavras,
É elas serem esquecidas,
Ou simplesmente não escutadas.
As palavras têm voz, mesmo aquelas gesticuladas ou escritas.

- Júlia S.

Can the words change the world?


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Quero (?)

Só sei que quero alguma coisa.
Mas não sei o que querer.
Quero fazer.
Mas não sei bem o quê.
Ou como.
Ou o porquê.
Quero ter.
Aquilo que não se compra.
Aquilo que não se vende.
Aquilo que não se explica.
Aquilo que só se sente.
Quero ser.
Quero gente.
Quero o bem.
Não quero o que se mente.
Mas quero omitir.
Quero tudo na minha mente.
Mas não quero tudo.
Não quero nada em meus pés.
Porque eu chuto.
Quero nas minhas mãos.
Porque eu luto.
Quero dar as mãos.
Mas não o meu braço.
Quero torcer.
Mas não quero rezar.
Quero o acontecer.
Quero sangrar.
Mas não pelos olhos.
Nem pela vagina, mas fazer o quê...
Quero que tirem de mim o que tiver para tirar,
Mas não o meu sangue.
Na verdade, quero compartilhar.
Não faço questão de encontrar aquela alma.
Por ora, quero encontrar a minha alma.
E se necessário, exorcizar.
Não dou o meu corpo para crucificar.
E tampouco para apedrejar.
Dou a minha cara a tapa.
Mas não dou o meu coração.
Quero que o devolvam.
Quero o meu chão,
Mas não quero a raiz.
Quero o céu,
E quero a copa para nele tocar.
Preciso de oxigênio.
Mas receio nele me sufocar.
Todos os ares possíveis, eu quero respirar.
Quero me inspirar.
Quero o que tiver expirar.
Não quero nada expirado.
Não quero nada conspirado.
Algo que eu não quero dar, não afirmo que se receber eu vou negar.
Quero a quem precisar pedir desculpas ou agradecer.
Quero gratificar.
Mas não quero pedir clemência.
Não preciso jurar minha inocência.
Se peço clemência,
É pelos outros.
Sabe o que eu quero?
Quero ser de todos.
Mas não quero que todo mundo seja meu.
Não faço questão que me amem.
Mas se me odeiam,
Que seja com fervor.
Desde que não invada o meu espaço.
Ou até mesmo quem me idolatra,
Eu não quero um palhaço.
Eu não quero que aceite.
Eu quero que respeite.
Eu não quero uma bunda,
Eu quero é ter peito,
E não o quero vazio,
Mas também tenho receio se for cheio.
Eu não quero nenhum rótulo,
Mas quero a minha raça.
Eu quero meu direito.
Mas quero fazer pelo esquerdo.
Não sou um pau que nasce torto.
Mas também não sou uma régua que nasce reta.
Quero uma linha livre,
Que vai de um lado para o outro.
Quero um anjo com asas de corvo.
Quero o diabo trazendo aquele gosto
Da carne em meus lábios.
Quero muito ou muito pouco.
Quero bons amigos.
Mas não vários.
Quero encarar o real inimigo.
E não perder tempo com otários.
Quero o sentido, mas não a exata direção.
Quero a força, mas também quero a inércia.
Não quero ser só vetor em ação,
Quero ser uma equação,
Cuja resolução é uma incógnita.
Quero a minha sexualidade.
Quero o meu sexo.
Quero sexo.
Quero o meu sexismo.
Quero achar,
Mas não ter achismo.
Não quero frações ou decimais.
Só números inteiros, menos ou mais.
Ou o zero.
Eu quero.

Querer ou não querer, eis a questão.

Tanta coisas pra querer, meu bem, e enfim... Hard to explain.

- Júlia S.


A Gente

Bebida é Coca!
Comida é Miojo!

Você tem querência do que?
Você tem nojo de que?

A gente não quer distribuir comida,
A gente quer nossa feijoada,
Conforto e zoar.
A gente quer nosso churrasco,
A gente quer ser palhaço,
A gente não quer pensar.

A gente quer nossos pastel,
A gente quer cerveja,
Lazer e beleza
A gente não quer a tristeza,
A gente quer viver
Como a vida da TV.


Bebida é Coca!
Comida é Miojo!
Você tem querência do que?
Você tem nojo de que?

A gente não quer só comer,
A gente quer comer
A boazuda da TV.
A gente só quer existir,
A gente quer palhaçada
Para a gente rir.

A gente não quer só comprar,
A gente quer comprar
E poder mostrar.
A gente quer ter muito dinheiro,
E o nosso direito
Pela metade.

Diversão sem arte,
Que seja qualquer parte,
Dominical praia e sol,
Dominical futebol,
Desejo, necessidade, televisão,
Carnaval e alienação,
Inverdades e corrupção... {paródia de Comida

- Júlia S.




Anarkilópolis

A professora chama atenção de seu aluno pelo seu comportamento desregrado no ambiente acadêmico:
- Olha, Eric Raul, talvez você vá contra algumas regras... Mas você não pode pensar que elas só existem para ser quebradas! Regras foram feitas para ser cumpridas, tanto que em qualquer local que você for, haverá regras, e em prol da ordem geral, elas devem ser cumpridas.
O jovem Raulzito rebate:
- Isso é besteira, professora! Numa anarquia, por exemplo, não há regras que limitem seus cidadãos anárquicos. 
- E aonde fica um lugar assim? - indaga a professora
- Por que?
- Porque quando você encontrar essa Anarkilópolis, venha me contar. Até eu faço as malas e vou correndo.

   - Júlia S.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

(Sobre)vida

O neto aborda o avô:
- Vovô, qual foi a pessoa da sua vida?
- Várias. - responde o velho
- Hum... Quem, então?
- As minhas namoradas, os meus melhores amigos, o meu primeiro empregador, uma professora muito especial... Até um cachorro que eu tive.
- Como assim, vovô? Então todas essas pessoas foram, basicamente, a razão do seu viver?
O avô deu um longo suspiro, e se pronunciou:
- Meu caro neto, qual é a razão do nosso viver se não as pessoas? Às vezes até gente que não se conhece! Na minha época de militância, por exemplo, eu pensava em gente que sequer havia cruzado comigo na rua, mas que tanto quanto eu ou quanto aqueles com quem mais tenho intimidade, merecia viver num país democrático, justo, livre, onde o Estado não não coage seus cidadãos e nem pratica violência direta contra eles. 
Você quando vai sair, por exemplo, escolhe uma roupa legal para usar, já pensando no que gente que você nem conhece, nas ruas, vai pensar, ou quiça no intuito de conhecer uma garota por quem possa se interessar, e ela por você... Mas não é só a gente que vive por elas, as pessoas também nos fazem viver. Nos fazem amar, ter prazer, odiar, chorar, rir, sorrir, gargalhar, sofrer, se divertir, ir à esquina,  experimentar coisas que até então a gente nem imaginava... Mas a verdade é que muitas dessas pessoas vêm e vão na nossa vida.
- É... mas eu tô falando de mais que isso, vovô! Não há gente de fundamental importância na sua vida?
- Aí, já é outra história... Não se trata de quem me faz ou fez viver. Mas de quem já me fez sobreviver.


  - Júlia S.



O Homem da Minha Vida

Dedico este texto ao homem que eu mais amei,
mas que já não vejo, como diria o matuto, faz mais de mês.

Dos que eu conheço, pode crer, é um dos homens mais inteligentes.
Sempre amou, mas com um jeito muito particular de amar,
De mostrar o que sente.
Nunca se calou, quando algo lhe fazia refletir ou se incomodar.

Um sujeito cuja cabeça nunca parava.
Que o pulmão se deteriorava.
E o coração, até hoje é bendizer um mistério como ficava.

Seu estômago era adaptado com o vazio.
E seus rins e fígado em estarem cheios...
Mas e o seu peito?

Alguns achavam complexo com ele debater.
Eu achava instigante.
Mas mais ainda com ele viver.

Seus braços finos, me embrulhavam em seus abraços e carinhos.
Ainda com as marcas em músculos, de alguém que um dia já teve que levantar vários quilos.
Não de quem levantou peso na academia; mas de alguém que carregou nos ombros o peso da vida.
E quem sentiu nos ombros também uma mão que segurava o peso da morte.
Quem já se sentiu um ninguém, um sujeito sem sorte.
Um sujeito a quem é injusto se julgá-lo fraco ou forte.

Um sujeito que mesmo não carregando algo concreto, carregou o peso do mundo.
Um sujeito que por mais que escondesse, em seu fundo
Ele guardava a essência de uma pétala de rosa.

Talvez se disser, estranhasse, mas essa é a sua flor.
Com delicadeza e espinhos.
Com os pés enraizados no chão, curtia a beleza e a dor.
Pétalas não desabrochadas, mas também não murchas.
Vivia do seu caule, e do ápice de sua cor.

Não se derretia em lágrimas, mas não negava seu suor.
E quando achava que tava muito frio, compartilhava comigo algum calor.
Mas nem tudo ele soube tirar de salteado e de cór.
Tava tão acostumado com um duradouro descontento, e com prazeres tão efêmeros,
Que será que ele soube lidar com o amor?

Enfrentou o Estado e a sociedade, lutou pela sua própria liberdade.
E quando estava livre simplesmente para amar, como encarou a felicidade?

E eu tinha a certeza e a crença que nós éramos parecidos, mas não somos.
Qualquer tristeza deixa minha casa desabada,
Na dele, quando habita, deixa a porta trancada.
Não queria ser a Júlia que sou quando me emociono.
E ele também não deseja sua particular faceta.
E se para ele a porta está fechada para a tristeza,
Na alegria ele fecha a janela.
Enquanto a minha casa fica até os poros aberta.
Escancarada.
E aí vem mais um temporal e desaba.

Eu só não desejo mais nada,
Só que juntos moremos na mesma casa.
Talvez ele nem saiba tanto, 
Mas sempre foi o meu chão.
Agora é meu telhado,
Com os tijolos meio quebrados,
Onde me pergunto quando sua estrela cairá na minha mão.

Estrela que já foi a minha lua, o meu raio de sol.
Estrela que já foi meu mar, e simultaneamente, para eu não morrer na praia, o farol.
Estrela que quando me via como um peixe no fundo, desgarrado do cardume, me pescava com seu anzol.

E agora, sem esse anzol que tanto já me pescou?
Sinto a ferida infeliz,
Seu último souvenir, que me deixara em cicatriz.
E no meio desse mar, tento afogar a minha dor.

Quem inventou o amor? 
Não disse que o de natureza parental era incondicional?
Pelo menos é o que estou achando do sentimento filial.
O amor, esse tal...
Cuja expressão - infelizmente - é totalmente condicional.

Por que é escudo e ao mesmo tempo ferida?
Por que derrubaram o meu muro e me deixaram sem entrada nem saída?

Sei que esse homem nunca foi de estar em cima do muro.
Ou de um lado, ou do outro.
De preferência, o esquerdo.
Mas e agora?
Já não sei direito...
Derrubaram e remontaram, sem me contar como, os cacos?
Aonde nesse labirinto, velho, eu te acho?
Para te entregar o que eu sinto, e ter entregue o sentido do teu abraço.

Do que adianta sentir amor,
Se não me faz sentir seu calor?
Do que adianta te sentir,
Se não sei para onde ir?
Se sei onde estou,
Mas você não está aqui?
Se não sei como você se sente.
Se está com o c* ou o coração na mão,
Se você ainda me sente,
Se estar ao meu lado ainda é um projeto que tens em mente.

Por favor, não minta.
Eu só quero que tu sintas.
E venha me contar depois.
Quero que venha me ver, nem que seja para dizer
Apenas um "Oi,
"Como vai você?".

Eu já nem sei mais direito quem é você.
Não sei mais o que te faz mover, e para onde.
Só quero saber,
Se de mim você se esconde,
E por quê.

Só sei que quando me vem à memória,
Momentos nossos de outrora,
Tenho certeza que foi o homem da minha vida.

Sempre deixou claro porque veio,
Mas mal anunciou a hora de partida.

É o meu pai, com todos os obas e ais.
É quem me deu a vida,
E a minha foi,
É quem se foi,
É quem eu quero dar, cara a cara, pelo menos um simplório "oi".

Não se esqueça do que lhe é próprio,
Nem hoje nem depois.

De você já ouvi (maus) boatos,
Mas de você eu só quero sentimentos e fatos.

Nem sei se um dia isso estará lendo, 
Só queria que voltassem aqueles dias, em que mesmo remotamente,
Você estava me vendo.
E não vou negar,
Eu vou vivendo,
Brigamos feio,
Mas nunca deixei nem vou deixar de te amar,
E infelizmente agora feio é o meu sofrimento,
Com o que era para num meio desse bombardeio me confortar,
Às vezes faz outro problema parecer tão pequeno.
Mas sem você, mais difícil de enfrentar.

E vou me ferindo nos espinhos,
Rasgando a minha carne.
Da tua carne.
E derramando lágrimas de sangue.
Do teu sangue.
Sinto extinguida a minha raça.
A tua raça.

Eu quero é me envolver na tez de suas pétalas,
Que possuem uma outra cor,
Divergente da minha, mas que sinto como se me colorisse,
Talvez por em outrora ter sido meu cobertor.


- Júlia S.








terça-feira, 23 de abril de 2013

Paz (?)

O neto chega para o avô:
- Vovô, qual é o maior conselho que o senhor pode dar a alguém?
- Que procure sempre a paz individual.
- Como?
- Aí, é com você... Mas só para não dizer que não avisei, não condicione seu bem-estar à paz mundial.


- Júlia S.