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terça-feira, 11 de junho de 2013

A Favor Pero No Mucho

Nada contra os GLBT, MAS...............................

- Não os contrataria; vai que molestam os meus filhos!
- Relações homossexuais vão contra a natureza.
- Tenho vários amigos gays, mas enfim...
- Não aceitaria que meus filhos fossem do babado.
- Não aceitaria que meus filhos fosse do babado, para eles não sofrerem.
- Respeito desde que estejam longe de mim.
- É nojento.
- Como vou explicar para os meus filhos isso?
- Acho um desperdício.
- O ânus não foi feito para isso!
- Diz na Bíblia que é pecado.
- Querem ser moderninhos e/ou alternativos demais para o meu gosto...
- Essas mulheres se beijam para chamar atenção, porque homem tem fetiche.
- Mulher que gosta de mulher só está seguindo uma modinha; é hetero!
- Homem que gosta de homem não tem coragem de se assumir; é homo!
- Bissexual é conversa, claro que é um ou outro.
- Se eu pego aquela lésbica, ela num instante aprende a gostar de um pau.
- Se ele não quer me comer, é gay.
- Não tenho nada contra, desde que não seja afetado.
- Gay afetado só quer chamar atenção.
- Ser travesti já é ridículo.
- Sempre será apenas um traveco.
- Eles querem ter mais direitos que os heterossexuais.
- Se acham superiores.
- Às vezes provocam para apanhar.
- É só um comportamento, claro que tem cura.
- É melhor se afastar, vai que pega.
- Filhos adotados só podem se traumatizar e serem infelizes.
- São promíscuos.
- Trabalho de travesti é fazer programa.
- Doença de gay é AIDS.
- Claro que não são iguais e nunca serão.
- Não é normal.
- Não precisa ser assim.
- Ela é muito feminina pra ser sapatão.
- Duas mulheres se beijando é para ter homem no meio!
- Não quero que os meus filhos vejam isso.
- Não quero que os meus filhos aprendam isso.
- Homem vaidoso e cuidadoso é sempre gay.
- Mulher que não se depila é sapatão.
- Só não gosto dos ativistas GLBT. 

- Estão querendo instalar uma ditadura gay!


- Júlia S.




Aquele Último

Certo dia, certo casal...
- Como assim? - disse ele meio avesso a conversas
- Apenas aceite.
- Certo.
- Afinal, eu quero terminar.
- E você costuma ser assim!? Só diz tchau e vira as costas...
- Fique tranquilo, cara.
- Continue, então... Explique-me, por favor, se for capaz.
- O que importa na vida de uma mulher não é o seu primeiro homem, mas o último...
- Último?
- É, aquele que não dá espaço para um próximo.
- E você ainda diz isso pra mim? Joga na minha cara que não tenho importância, afinal não sou seu último homem...
- Mas é! E você é sim, importante e especial. Sempre lembrarei de você como o último, meu bem. - tenta ela consolar, com um sorriso entre os lábios
- Então como termina comigo, se não dou espaço para um próximo homem?
- E eu por acaso disse que você não deixa espaço para um próximo romance?


   - Júlia


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Aquele Chão

Insistindo em correr sobre um chão instável, ela correu.
Corria sem saber o porquê, sem saber até onde correr.
E numa pedra topou, bateu, caiu.
E o que ela viu?
Viu o chão cheio de lama, espinhos e urtigas.
Um chão que a puxara, mas então agora saíra
Dessa areia movediça.
Se arrependera?
Com certeza não.
Para admirar ainda mais o céu,
E olhar ainda mais para os lados,
Ela precisara sentir o até então
Desejado gosto amargo
Daquele chão.

E foi limpando cada hematoma,
Como quem varre uma sujeira.
E foi assim, ficando quem sabe
Cada vez menos sujeita.

E enquanto não pode pisar no céu,
Pretende se livrar de ser pisada
Como a mais condenada dos réus.


- Júlia S.



domingo, 28 de abril de 2013

Paz (?) # 02

O neto interroga o avô:
- Vovô, eu estive pensando... Lembra quando você me disse aquele lance sobre a paz?
- O que meu, filho? Perdoe-me a minha memória falha.
- Aquilo, vô, que para gente ter paz...
- Sim, sim, tem que procurar a paz individual! Pois se depender da paz mundial...
- Eu, sei vovô. Mas e a nossa paz individual? Como fica, se às vezes também dependemos dos outros para tê-la?
- Boa pergunta... E tem gente que insiste em perturbar a paz alheia. Mas então, sabe o que você deve fazer?
- O que?
- Espalhar a paz ao seu redor. Lutar por ela mesmo que não seja para você, por você. E aí quem sabe seus conviventes você contagia. E quem sabe isso acarreta na paz mundial, um dia;

   - Júlia S.

Não entendeu muito bem? Leia também este aqui.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Anarkilópolis

A professora chama atenção de seu aluno pelo seu comportamento desregrado no ambiente acadêmico:
- Olha, Eric Raul, talvez você vá contra algumas regras... Mas você não pode pensar que elas só existem para ser quebradas! Regras foram feitas para ser cumpridas, tanto que em qualquer local que você for, haverá regras, e em prol da ordem geral, elas devem ser cumpridas.
O jovem Raulzito rebate:
- Isso é besteira, professora! Numa anarquia, por exemplo, não há regras que limitem seus cidadãos anárquicos. 
- E aonde fica um lugar assim? - indaga a professora
- Por que?
- Porque quando você encontrar essa Anarkilópolis, venha me contar. Até eu faço as malas e vou correndo.

   - Júlia S.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

(Sobre)vida

O neto aborda o avô:
- Vovô, qual foi a pessoa da sua vida?
- Várias. - responde o velho
- Hum... Quem, então?
- As minhas namoradas, os meus melhores amigos, o meu primeiro empregador, uma professora muito especial... Até um cachorro que eu tive.
- Como assim, vovô? Então todas essas pessoas foram, basicamente, a razão do seu viver?
O avô deu um longo suspiro, e se pronunciou:
- Meu caro neto, qual é a razão do nosso viver se não as pessoas? Às vezes até gente que não se conhece! Na minha época de militância, por exemplo, eu pensava em gente que sequer havia cruzado comigo na rua, mas que tanto quanto eu ou quanto aqueles com quem mais tenho intimidade, merecia viver num país democrático, justo, livre, onde o Estado não não coage seus cidadãos e nem pratica violência direta contra eles. 
Você quando vai sair, por exemplo, escolhe uma roupa legal para usar, já pensando no que gente que você nem conhece, nas ruas, vai pensar, ou quiça no intuito de conhecer uma garota por quem possa se interessar, e ela por você... Mas não é só a gente que vive por elas, as pessoas também nos fazem viver. Nos fazem amar, ter prazer, odiar, chorar, rir, sorrir, gargalhar, sofrer, se divertir, ir à esquina,  experimentar coisas que até então a gente nem imaginava... Mas a verdade é que muitas dessas pessoas vêm e vão na nossa vida.
- É... mas eu tô falando de mais que isso, vovô! Não há gente de fundamental importância na sua vida?
- Aí, já é outra história... Não se trata de quem me faz ou fez viver. Mas de quem já me fez sobreviver.


  - Júlia S.



terça-feira, 23 de abril de 2013

Paz (?)

O neto chega para o avô:
- Vovô, qual é o maior conselho que o senhor pode dar a alguém?
- Que procure sempre a paz individual.
- Como?
- Aí, é com você... Mas só para não dizer que não avisei, não condicione seu bem-estar à paz mundial.


- Júlia S.


Viva La Sociedad

O professor aborda a aluna:
- Me diga, Sophia, qual é o oposto de capitalismo?
- Depende.
- Como assim depende?
- Eu diria, hã... Que é o estalinismo.
- Quase!
- Como quase? Não estou certa?
- Mais ou menos... O contrário de capitalismo é o socialismo.
- Então, o socialismo de vertente stalinista... particularmente interpretado e exercido por Joseph Stalin.
- Aonde você está querendo chegar, Sophia?
- Tô querendo dizer que o socialismo utópico, formulado por Saint-Simon, Charles Fourier, Robert Owen e Louis Blanc, ou até mesmo o socialismo científico como evolução que geraria uma sociedade comunista, proposto por Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Lenin, com base no revolucionário Leon Trótski, não tem nada a ver em ser o oposto do capitalismo.
- Como não??? - estarreceu-se até a medula o professor
- E o senhor ainda pergunta? O capitalismo, dentro de seus ideais, promove a desigualdade social, a exploração do homem pelo homem, o "vale-tudo" na obtenção de lucro, a alta valorização de um alto padrão de vida, e a burguesia com acúmulo de poder. O estalinismo também promoveu a desigualdade, acúmulo de poder, aliás, ditatorial, contudo seguindo ideais comunistas, dizem os simpáticos ao regime de Stalin, uma doutrina "marxista-leninista". Então, o oposto do capitalismo é o estalinismo!
- Hum... e por que o marxismo, por exemplo, não seria?
- Porque essa vertente socialista propõe de fato igualdade entre os homens, uma sociedade sem divisão social, e sem os instrumentos da classe dominante, no caso as instituições privadas e o Estado. O fim da guerra das classes, do eterno dilema do explorador e do explorado, dos abastados poderosos e manipuladores, dos miseráveis submissos e alienados.
- E isso tudo não contradiz com o capitalismo?
- Contradizer, contradiz. Mas para ser oposto tem que haver algo de semelhante. Por exemplo, o oposto do legal é o chato, mas estão interligados, em relação à personalidade e/ou temperamento. Se escrevo meu nome ao contrário, fica "Aihpo", logo Aihpo é contrário de Sophia; mas algo crucial esses dois nomes têm em comum: as letras.
- E... ?
- E que o estalinismo exerceu o mesmo que um regime capitalista, por exemplo, mas seguindo uma outra ideologia, por isso é o oposto do regime capitalista, assim como o comunismo de mercado da China, e o socialismo exercido em Cuba também... O que acontece é que o socialismo/comunismo na verdade foi proposto para exercer nada mais, nada menos, que a igualdade. O mais genuíno direito do ser humano à liberdade.
- E o capitalismo...?
- O capitalismo propõe inferioridade, a apatia em relação à desigualdade. Falar que socialismo/comunismo e capitalismo são opostos é como falar isso do machismo e feminismo.
- Faz sentido...
- Pois no machismo há o enaltecimento de maneira arcaica daquilo que é dito como superior; o feminismo tem o enaltecimento de forma progressista daquilo que é de igual para igual.
- Então, por que o socialismo posto em prática até hoje não deu muito certo, Sophia?
- Por que o socialismo de verdade não é feito por uma teoria, por um governante ou por um partido. O socialismo de verdade é feito por várias pessoas e um só povo! O socialismo de verdade não apenas estuda, mas sonha! O socialismo de verdade não olha apenas para trás, mas para o novo! O socialismo de verdade não é aquilo que se quer ou impõe, que se deixa ser um velho autoritário; o socialismo de verdade é um jovem visionário.


- Júlia S.


E mais uma vez, viva a sociedade alternativa!



segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Anti-Social

Um colega de classe aborda o outro:
- Por que você é tão anti-social?
- Por que, pelo que me julgas anti-social? - devolve com outra pergunta o tal
- Sei lá, cara... Você é do tipo que fica aí na sua, lendo um livro, revista, até jornal, ou escutando música... não vai a muitas festas, não tem muitas redes sociais e nem as atualiza frequentemente... é de poucas palavras, não interage muito com a galera em geral... Mas por que?
- Hum, sei... E você, o que faz da vida? Vejo que anda cercado de amigos...
- Pode crer, cara. Esse é o meu dilema. Toda festa eu tô dentro, topo qualquer parada. Sou muito de sair com a galera, mal paro em casa, saca? Os meus velhos até que pegam no pé, mas... Vivo conectado, e modéstia à parte, mina é o que não me falta - diz abrindo um sorriso com um ar ladino
- E a sua vida se resume a isso?
- É. - responde com firmeza e cheio de orgulho de si
- Então sinto muito, mas o anti-social aqui é você.
- Como? Por que? - indagou rindo
- Aprendi na Física algo que implantei na minha filosofia: tudo é uma questão de referencial. E como vejo, temos referenciais distintos. Se para você anti-social significa não viver como se tudo fosse um festival, não se desligar de um mundo virtual, onde se conecta apenas com uma realidade maquilada, manipulada, ao invés de se conectar com aquela que está mutilada, se cercar de "amigos" cuja sinceridade e veracidade são suspeitas, ter uma vida sexual agitada, ser altamente influenciável por naturezas (artificiais) alheias, tudo em nome do seu ego e vaidade, que inclusive são coisas de essência (ou falta de) exclusivamente individual, realmente, meu caro, me desculpe, mas eu sou um anti-social.
- Então, meu chapa, qual é o seu "distinto referencial" de anti-social? - já meio irritado, com o maldito orgulho ferido
- A questão não é bem de "anti-social". Mas de social.
- Ah, é... como assim? Fiquei curioso agora. - ironiza
- Não se prender ao seu individualismo, a uma vida maquiada de onde só se retira as melhores partes. Pois viver com certeza é uma arte. E dela faz parte socializar. E socializar para mim é a minha visão, de olho e de mundo, atingir um longo raio ao meu redor, olhar para o alto cima e destiná-lo ao que está no fundo, olhar por quem cuja essa "arte" de (sobre)viver é trash, como um filme dramático, uma fotografia  preta e branca sem flash, um retrato amarelado e assistemático, uma grafitagem manchada... qualquer obra que me deixe empático, que me descontenta com uma mera (de merda) fachada. 
- Aham, mas...
- Socializar não é se exibir numa vitrine. É exibir sua ideologia numa vitrine, e jamais vendê-la. É dar a ela vida. É dar a outros uma melhor, pois têm muitos na linha da morte... Esses pobres sujeitos sem sorte.
- Ér...
- Sem sorte, sem renda, sem educação, sem emprego, sem respeito, sem saúde, sem saneamento, sem esperança, sem felicidade, sem igualdade... Sem a dignidade que deveria a eles ser desviadas por nós, e aqueles poderosos que eles sim são indignos, mas que com nosso dinheiro, desviam é os nossos direitos, e inibe não apenas o pobre coitado, mas gente como eu e você também, à liberdade, à justiça e à igualdade; essa verdadeira escória sem noção de fraternidade.
- Cara...
- Socializar não é com um mundo irreal/virtual se conectar. É se conectar com o mundo real. Com esse mundo desleal, com esse que ele sim deveria ser surreal, ou melhor, irreal... que se julga moderno pelas novas tecnologias, mas ainda mal distribuídas, assim como um (nada avançado e super necessário) prato de comida... mundo ainda tão atrasado pela falta da concretização das boas ideologias, a nossa maior ferramenta, o nosso maior dilema, modernidade, e tecnologia. Socializar não é sair fazendo zona, não é ter vários amigos em sua mesma zona de conforto, essa mesma que você pensa que te dá um leque de opções e condições, mas que simultaneamente te aprisiona; socializar é também olhar, não apenas para, mas por, aquela outra zona. Socializar é fazer por onde para realizar o que se sonha. Não pela sua individualidade, mas em nome do bem da coletividade. Socializar não é exibir à galera sua maneira descolada de se vestir... é pensar, e dar àquele que não tem com o que se cobrir. Socializar não é um futebol curtir, se reunir para à "sua novela" assistir, a uma praia com sol ir, com os amigos, e uma boa caipirinha, se divertir, ou brincar, pular o carnaval. Socializar é fugir dessa alienação surreal. O Brasil tem mais que essa cara para mostrar, tem também corpo e alma, só falta buscar. Só falta dar à luz. Só falta iluminar. E, nós, brasileiros temos uma cara a tapa para dar. Ao invés do nosso corpo para crucificar. Ao invés de várias almas infelizes para uma morte indireta ou diretamente provocada levar. Socializar não é algo para alimentar a sua vaidade, mas a barriga, a vida, a cabeça, o coração de outros, e a liberdade. Socializar não é falar com alguém que mal conhece e abertamente sorrir. Socializar é de fato se unir. Unir por uma unificação, jamais de características, mas de uma almejada condição. Socializar não está relacionado à galera. Socializar está relacionado a várias pessoas e um só povo. Socializar não é conversar, sair, fazer isto ou aquilo de novo. Socializar é fazer o novo. 
- Então, o anti-social...
- Ainda nessa bendita definição? Anti-social é o que desanda ou não faz andar a sociedade. Que não quer parar o caminhar daquele que desanda, que não quer guiar aqueles que mal têm chão para andar. Anti-social, aquele que nem sabe o que significa uma utopia, e se sabe não a associa a esta vida. Aquele que não sabe se libertar em sonhos, ou ideais, mas se prende num profundo sono, e em fatos bestiais.
- Profundo sono?
- Sim, profundo sono. Naquele em que os olhos não abrem por estarem em demasiado adormecidos. Ou pior, naquele em que se finge de um coitado adormecido, para não precisa abrir os olhos para os esquecidos. E para a sociedade continua aí, inerte, dormindo.
- Olha, eu tô ligado que vivemos num país cheio de riquezas e pobrezas, porém...
- Porém você prefere apenas olhar as nativas belezas, ao invés de você mesmo fazê-las. E sabe o que é mais belo no Brasil? As pessoas. Não me refiro de maneira incongruente a essas mulatas ou periguetes salientes. Me refiro a toda gente. Gente que sente, mas quem liga? Se liga na Globo e a tem ligada, mas com certeza não é ela que liga. Gente que se abala, mas continua sorridente por quê? Para não chorar, ao contrário de ti, que tanto exige e ri e mal sabe o porquê. Gente diferente. Negro, branco, índio, mulato, caboclo, citadino, campesino, do Sul-Sudeste, Centro-Oeste, ou nortista, ou nordestino, grande, pequeno, pobre ou não, analfabeto ou que teve educação, políticos que fazem jus ao "ordem e progresso" que teoricamente representa a nação, homem, mulher, gay, heterossexual, ou bi... Enfim, esse mar (ou sertão, ou qualquer chão, ou lagoa, ou rio, ou serra, ou cachoeira, ou cataratas) de gente sem fim. Gente que quer que as cores da bandeira do Brasil, e do nosso céu anil, tão vivas e harmônicas entre si, faça jus à cor do seu suor, do seu sangue cicatrizante, das suas lágrimas, do seu sorriso, da sua terra, da sua tez. Gente decente que infelizmente não tem voz nem vez. Enquanto os indignos, egoístas, corruptos e mal-caráter, fazem baderna na calada da noite e tudo continua no silêncio. Já gente inocente dá um grito de agonizo e tormento, e... tudo continua no silêncio. Quem é responsável por calar a algazarra e simultaneamente o sofrimento? Quem é que não ama essa gente? Você diz "eu te amo" para alguém que acabou de conhecer, eu digo "eu te amo" para algo que se conhece desde antes de eu nascer. Para essa parte a que cabe dizer sociedade! Para esse parto (ou gestação) da liberdade!
Enfim, eu amo não ser anti-social. Eu amo não me contentar em ficar na minha. Eu amo ter um projeto para várias vidas.


- Júlia S.


{OBS.: Por favor, não achem que eu fiz alusão ao José Serra ou ao Carlinhos Cachoeira no texto, eu só estava falando de meio ambiente! Pouco me importa se é o habitat sem verde - mas quem sabe com verdinhas - do tucano, do periquito, papagaio do pirata, ou qualquer animal que mereça ser caçado e enjaulado, mas jamais para exposição. (:}









quinta-feira, 18 de abril de 2013

Porque Tudo Anda Junto

A irmã mais nova aborda a mais velha:
- Por que flores rimam com dores?
- Porque elas carregam um pesar oculto. São suas pétalas que vestem, até escondem a intimidade do luto.
- Certo, mas o beija-flor, tão lindinho e que não tem nada a ver, também rima com dor...
- Talvez porque beija-flor seja apenas um codinome para dor.
- E por que amar rima com odiar?
- Porque são sentimentos remotos entre si pela classificação no dicionário, mas que por uma separação linear se distinguem em subjetivo significado. Talvez um seja consequência do outro, e em intensidade estejam lado a lado. Quiça o amor seja um doce unguento; mais uma dose, vira um amargo veneno. O amor que era engraçado, agora detestavelmente zomba como um palhaço.
- Hum... Mas por que morte rima com sorte?
- Porque é o que ela pode ser. Começar do bendito zero é nascer. Estar no apogeu da vida é falecer. Absurdo é não morrer; não se libertar do viver. A morte é apenas um anjo mal (?), a quem todos se designa no final.

   - Júlia S.





Aquele Velho Tapa no Visual

Tava cansada do seu visual. Todo dia, a mesma aparência, a mesma merda... Cansa. Resolveu ir ao salão de beleza, para dar aquele velho tapa no visual.
- Então, o que você acha da minha ideia? - perguntou Dona, a responsável pela mudança
- Amei! Enfim um visual que expressa quem eu sou...
- Pois é, eu bem que sempre achei que você deveria fazer isso... Super indicado, querida.
Então a Dona pegou a sua  tesoura de estimação; cortou, cortou, cortou... E cortou. Fizera um visual super repicado, moderno.
- Então, linda, o que achaste?
- Meu, a-do-rei! Sem palavras! Estou até parecendo aquela, aquela... Poxa, tava ponta da língua!
- Calça do Kurt Cobain? Muito parecida!
- Essa mesma! Caramba, valeu mesmo. Meu jeans tá lindo!

E era a calça mais repaginada, com a Dona mais orgulhosa.


{E se os objetos falassem, sentissem, agissem, pensassem?...}

- Júlia S.



Ela e Ele

O casal de namorados resolve sair para dar um bordejo juntos. Ele diz:
- Amor, não fico seguro com a carteira e o celular no bolso, podem me furtar... você faria a gentileza de levá-los na sua bolsa?
- Claro, mô, por que não? Dá aqui.
- Brigadão! - e assim foi feito o favor, mas mais uma vez ele se pronunciou:
- Querida, esse tempo anda tão inconstante, e você sabe como eu sou sensível ao clima... Será que você poderia levar o meu casaco também, dentro da sua bolsa? É que eu não tenho paciência para andar com ele amarrado na cintura.

- Claro, claro. Pode me dar.
- Valeu! Guarda também as minhas chaves do carro e de casa, que eu não tenho confiança em andar com elas dependuradas no cós da calça... podem surrupiar, elas caírem, sei lá... Por favor!
- Nem precisa pedir duas vezes, dá aqui, meu bem.
- Muito obrigado, querida. Mas tem outro favor... Leva meus óculos também. É que ele fica mais protegido dentro da caixinha, e na sua bolsa, do que dependurado na minha gola.
- Sim, claro! Guarde aqui.
- Obrigado, meu amor! Ah, leve na sua bolsa também o meu tablet. Nunca se sabe quando vai precisar de um tablet...
- Aham, querido, coloque...
- Hum... e o meu boné! Pode ser que faça um sol insuportável e eu precise de um boné!
- Aham, mais isso então...
- E já que estamos cogitando um solarão, vou colocar também o meu filtro solar, pode ser? Inclusive você também pode usar, até deveria.
- Ok...
- Acho que não falta mais nada nessa sua bolsa... Ah, a sombrinha! Como disse, esse tempo inconstante...
- Mais alguma coisa, senhor?
- Hum... Já que você insiste, querida, vou pôr aquele meu pente. Afinal, eu sei que o meu amor não gosta de andar com um namorado desarrumado.
- Certo, vamos embora.
E então, passearam, namoraram... E ela:
- Querido, segura a minha bolsa um instantinho que eu vou ao toilete.
- Tá bom. - disse ele pegando, e logo falou:
- Nossa, benzinho, que bolsa pesada! Mas também, pra quê você carrega tanto cacareco?
- Pra quando eu precisar te bater!

      - Júlia S.



terça-feira, 16 de abril de 2013

A Calada

Gostava de falar demais. Para ela era óbvio e consequente: pensava e falava. Livremente. Idealizava e compartilhava. Jamais a boca calava; e tampouco seus olhos sinceros se fechavam. Sua mente era uma vitrine. Na qual exibia sem censura e na moral, aquilo com lisura e na real; suas coisas que não eram vendidas - apenas ditas, repetidas, refletidas, exercidas (ou exorcizadas)e divididas.
Nunca se cansava. Mas os outros sim. Pois esses outros não gostavam de gente assim. Quiça mal gostassem de gente. Falavam também mas não queriam ouvir. Nunca se perguntaram como se sente. E nisso quiseram por um maldito fim. O coro cruel de "CALA A BOCA, BÁRBARA!" foi arrebatador - seria seu pior pesadelo, sua pior dor. Dessa vez resistiu. Nunca mais interagiu. 
Estava morta e assassinada. Estava remota e asfixiada. Não tinha direito sequer de mostrar sua cicatriz - pois ninguém queria saber do que é infeliz.
Quase engasgava com sua própria boca molhada, em meio a tanta saliva não gasta. Suas lágrimas já estavam secas; mas sua cabeça continuava a mesma. Seu olhar muita coisa ainda viu. Aquele que riu, aquele que extorquiu, aquele que feriu, aquele que mentiu... E ela ali, calada na calada da noite, sua grande parceira, refletiu. Tomou enojada um cálice para suportar seu chá de cale-se. Mas mais uma vez não resistiu. No meio desse turbilhão de pensamentos e sentimentos (res)guardados, com o coração dilacerado e o saber sem poder estourado - ela explodiu. Juntaram dessa mártir seus cacos. Pelo menos em algum lugar qual for que seja mais uma vez ela sorriu. Livre no final - e remotamente observando o mal.

Silêncio era seu sinônimo de sofrimento. Sua ideologia era seu casamento. O dizer simplesmente viver; o brado do acontecer. O anúncio do alvorecer. O aquilo ou algo em seu puro clamor era unguento para a dor. Sempre barulho, de algum lado do resto do muro. Eu penso, tu pensas. Libertai as algemas. Eu grito, tu gritas. Eu vivo, tu vivas.

- Júlia S.




Minha Religião

Um casal de amigos conversam numa mesa de boteco, a moça diz:
- A minha religião não permite que eu beba nem fume...
- Sério? - indaga o rapaz
- ... pouco.
- Ah, claro... E que religião seria essa? - diz com um sorriso irônico
- A religião é a Dor, e o nosso deus se chama Amor. Conheces?
- Bem... me vê um cigarro? E vou pedir pro garçom mais uma dose daquela.

E o cigarro foi aceso, assim como algo que arde por dentro; aquilo que os causa descontento. 
E tomaram várias mais umas doses. Daquilo que poderia causar uma cirrose. E daquilo no peito que é bem mais forte. Daquilo que é tão poderoso quanto a vida e a morte. Daquilo que pode ser azar ou sorte.

  - Júlia S.




segunda-feira, 15 de abril de 2013

Por que?

Dois senhores debatem, calmamente. Um pede a palavra:
- Mas por que?
O outro ganha a vez:
- E por que não?


   - Júlia S.




domingo, 14 de abril de 2013

Morte e Vida Severina... Ou Citadina

Um nordestino faz a vida numa cidade grande qualquer, do Sul, Sudeste, ou até mesmo Centro-Oeste. Não, não é um retirante que agonizou numa seca e miséria generalizadas, para agora agonizar numa abundância nenhum pouco igualitária. É um nordestino de capital (ou até mesmo não), que nunca desconheceu a qualidade de vida, que frequentou o litoral, que privilégios desfrutou, que estudou, se formou... mas que como vários brasileiros ou estrangeiros, para outra cidade se mudou. E que também é vítima de preconceito, como se sua origem fosse seu carma, sua sina e sinônimo de inferior.
Então, seu sotaque, suas gírias pitorescas, seus trejeitos, ainda preservados não enganam - não que ele quisesse enganar -, e o faz ser abordado por um sujeito nativo do local:
- Então você é do Nordeste?
- Sim, eu sou. Sou eu.
- Então me satisfaça uma curiosidade: é verdade que lá quando chove, o pessoal abre a boca para cima, pra  tomar a água da chuva? - desdenha o outro, rindo
- Pode até ser que isso aconteça no sertão sofrido, mas jamais abatido. De onde eu venho o máximo de castigo que o sol nos dá é um calor da gota serena, vou te contar, que com a UMIDADE da maresia, faz o cabra suar sem parar.
- Uhum, sei... - ainda sem conter o maldito riso 
- Mas não vejo nada de mal nesse gesto simbólico e singelo, pelo contrário: o acho belo. Ainda mais uma vez que não há chuva ácida que corroa, advindo do nosso céu límpido, sendo que o que corrói o povo é a seca. Ainda por cima que se pode correr livremente sob a chuva sem temer uma rajada de balas, o julgamento alheio, ou um atropelamento.
- Mas...
- E acho belo também que o povo faz poesia do próprio sofrimento. Enquanto aqui se faz piada, dos seus sofridos ou dos dos outros. Falam do nordestino, mas por que não olham pro próprio umbigo? Ou melhor: por que não olham ao redor?
- Pô, meu...
- Pois o sertanejo consegue ser feliz na simplicidade. Os citadinos acham que o que vale é alimentar a vaidade. Sempre querem mais, e quem tá ao lado também acaba querendo mais. Não apreciam o quão a vida simples é bela. Mas como pode? Pra esse povo despejado, ignorado, em subúrbio ou favela...
- Cara...
- Cara, digo eu: cara, o excluído de vocês também é gente. Gente que tem desejo. De comprar, de fazer parte, de fazer jus ao fato de estar sob regime desse capitalismo selvagem, de ser, de ter, de aparecer, de parecer. Mas quem pode pode, e quem não pode se sacode, não é mesmo? Então eles matam, roubam, sequestram, se prostituem, traficam, mendigam...
- Ér...
- Porque aqui ninguém aprende a ser feliz com um sorriso. Com a aurora ou o com o pôr-do-sol. Com um bom livro ou um bom filme. Com uma comidinha caseira feita por alguém que se gosta, ou até mesmo por você, sendo o mérito teu. Com o cair da chuva. Espalhando o verde não só da vegetação, mas o da esperança, quiça de um novo aeon!
- Mas isso é coisa de quem se contenta com pouco, coisa de quem não tem nada!
- Não, isso é coisa de quem manja da arte de viver... Que extrai algo desse nada, de quem alivia o sofrer. E vocês, que são tão exigentes e ainda assim alienados? Tiveram educação e são letrados, têm acesso à cultura, e ainda assim são ludibriados? No meio de todo esse bombardeio, se tornaram cegos. Os que mais deveriam, esqueceram de usar o cérebro.
- Bom...
- Bom nada, nada bom! Tome nota, seu moço, que o problema não é só daqueles que vivem à margem da sociedade. É daqueles que estão "in" também. Não que os excluídos sejam o problema dos incluídos. Porque os incluídos não precisam dos excluídos estarem com uma arma na mão pedindo que passe a grana, para ser violentado. Para ser assaltado. Para ser assassinado, a cada dia.
- Foi mal, mano. Na moral. Eu só tava de zoa...
- É tudo que vocês sabem dizer. O pior é que se dizem tão cosmopolitas... Tão grande, mas cabe pouco. Aceitam tudo, mas zombam do meu "Ó XENTE", querem mais ideias, mas não aceitam gente. E se eu falar das "viadagens" que são mais aceitas por aqui? Então eu sou um nordestino, um paraíba, um baianinho comedor de farinha, um jeca, um caipira, um cabeça-pequena conservador? Não discordo, claro que sou! Pois preconceito gera preconceito. E é por isso que não culpo, por exemplo, o paulistano pela discriminação. Também podia ser o carioca, o gaúcho, o mineiro, o brasiliense...
- Ainda bem que você sabe, mano.
- E é isso, meu camarada, que digo que se solte, não se prende. Vocês conhecem tudo, e ainda tem o conceito de "o tal"? É tudo igual, e simultaneamente diferente. Ser assim é normal, ó xente!

- É, já vi... uns têm o pão de cada dia; para outros só resta é o leão de cada dia, que no fundo todos temos. E às vezes mais que o pão nem merecemos.
  
    - Júlia S.






Como Vai A Vida?

Um dia dialoguei com alguém, digamos, especial:
- Olá, Vida, tudo bem?
- Tudo bem? Você acha mesmo que está tudo bem? Por acaso eu tô com cara de que tá tudo bem?
- E por que não estaria?
- Ora, minha cara, acham que eu tenho a obrigação de ser normal, mas eu sou tão louca... Mas louca mesmo é você, esse mundo que habita. Ninguém quer a minha partida, mas também ninguém sabe porque estou aqui. Usurpam o que há de bom em mim, e esquecem que também posso ser ruim. E quando sou assim, simplesmente eu, me xingam, mas não tenho culpa, apenas faço como manda o figurino. Apenas faço de acordo com o mundo onde habito. Como vocês mandam. Mas foda mesmo é quando fazem mal juízo da minha amiga morte, que nem está aqui para se defender, e quando está, você não existe mais para julgar. É foda também quando eu dependo de alguém para me eternizar. Mas poucos se importam em ir e deixar outra vida no lugar. Vidas novas que nasceram, vidas novas por  foram salvas, do fim ou da mediocridade, ou a vida de um legado. Então, não valho nada para vocês? E eu pensava que era livre, mas não sou... porque vocês são quem dificultam a minha liberdade. Quiça até decidem quando eu vou. Uns decidem pela vida dos outros, no mais puro brutal, ou no violentamente pacífico. Mas como dar valor à vida dos outros, se não valorizam a própria vida? E ainda acham que atravessando e machucando os outros estão salvando a própria pele. Mas não a própria alma, a cabeça e o coração. Mas te digo uma coisa, minha cara, é o cachorro que balança o rabo, não o rabo que balança o cachorro. Enfim, estamos todos juntos num mesmo balanço. E ninguém para a própria vida para balanço...
- Custava responder apenas 'Oi, tudo bem. E com você?'
- Não sou de fazer perguntas retóricas, quando você é que deveria fazê-la para si. Sei que assim como eu, não está nada bem para ti. Nessa barra dura que é viver, não se contentar em existir... Pelo menos não é você quem é infeliz e não sabe.

E então nos abraçamos.

   - Júlia S.




O Ciclo Vicioso # 02

Um irmão chega pro outro:
- Mano, por que você se preocupa tanto com malhar, frequentar a academia, e simplesmente não para pra ler um livro, assistir a um filme...?
- Por que isso não me levará a nada, mano.
- Como não? Abrem sua mente, expandem a sua visão, lhe dão conhecimento, e liberam a sua imaginação.
- Ô, mano, pode até ser... Mas enquanto você fica aí parado, eu me preocupo com o meu corpo, ok?
- Mas a sua cabeça também não completa o seu corpo?
- Mas uma cabeça grande não é nada bonito - desdenha o outro, rindo
- Então você quer ficar grande ou bonito?
- Digamos que os dois, né, meu! Dã!
- Aham, mas tudo tem, ou deveria ter, um propósito. E toda beleza há de ser exibida. Então, aonde você pretende exibir esse corpo "bonito"?
- Na academia, né, meu, pra não fazer feio diante dos mano e das mina.

      - Júlia S.

sábado, 13 de abril de 2013

O Ciclo Vicioso

A filha chega pro seu velho:
- Pai, me dá dinheiro?
- Mas já?? Semana passada eu já te dei dinheiro.
- Mas você nem me deu tanto, pô! E aquele eu gastei com o básico: lanche, bilhete do metrô, a aula particular, crédito no celular, um cine que eu peguei aí... Você sabe, velho.
- Mas é justamente o de de sempre, o que você precisa. Creio que agora você tenha uma necessidade especial...
- E tenho.
- Ok, vou te dar dinheiro.
- Oba! Brigada, pai!
- Certo... Mas antes me diga com o que você pretende gastar.
- Ah, velho, eu tô indo ao shopping fazer umas comprinhas... Tô precisando de roupa nova, sabe?
- Mas já??? E pra quê você precisa de tanta roupa, minha filha?
- Ora, pra quê... Pra quando eu for dar um rolê no shopping com a galera, pô.

               - Júlia S.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Onde Eu Ligo? (Ou Não Ligo)

Num belo dia eu ganhei uma TV: uma TV chamada Vida. Perguntei:
- Cadê?
- Cadê o quê?
- O manual de instruções, oras.
A resposta era que não havia o maldito manual de instruções. Liguei e só sintonizava um canal, no qual passava constantemente o filme da minha vida; mas não era qualquer filme: era um filme que podia ser programado aqui acolá. Então perguntei qual era a programação, mas não havia nada programado. Era assistir e interagir. Assistir TV sempre foi uma atividade passiva, mas naquele caso era diferente; era uma atividade bem ativa. Perguntei pelo controle, mas ninguém sabia, só eu poderia achá-lo. E enfim achei, e apertei justamente naquele célebre botão:
FODA-SE!

- Júlia S.